Mobilidade e flexibilidade: fatores importantes no mundo do trabalho


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Autor: Enrique Martin Fonte: Microsoft Publicado em 05 de Agosto de 2016 às 12h15

Dizer “estou indo ao trabalho”, fazendo referência a um espaço físico, é algo que não faz mais sentido.

Nos últimos anos, a cultura do trabalho ficou mais flexível, deixando de lado a ideia de que os funcionários precisam ficar restritos a um lugar e horário específicos para garantir produtividade às empresas e qualidade de vida aos indivíduos. Dizer “estou indo ao trabalho”, fazendo referência a um espaço físico, é algo que não faz mais sentido. Hoje em dia, as pessoas vão “trabalhar”, elas não vão “ao trabalho” necessariamente. Esse é o conceito do everywhere office, um escritório que pode existir em qualquer lugar.

A evolução do conceito de trabalho vem gerando mudanças profundas no comportamento das novas gerações que ingressam no mercado profissional. Se o sonho da geração dos baby boomers era construir carreira em uma grande corporação, as novas gerações ficam animadas com a possibilidade de conseguir formas flexíveis de trabalho. Segundo pesquisas* realizadas nos Estados Unidos, mais de um terço dos profissionais de tecnologia preferia poder trabalhar de casa do que receber um aumento de salário. Para essa nova força de trabalho, a cultura empresarial é a nova moeda! Assim, a missão e a visão da empresa – assim como a questão da flexibilidade – podem atrair ou repelir novos talentos.

No Brasil, o cenário é bastante parecido. De acordo com pesquisa da SAP Consultoria RH, o principal motivador para as companhias adotarem esse modelo de trabalho é a retenção de talentos (mencionado em 89% dos casos), seguido pela otimização de processos internos (87%). Por outro lado, apenas 37% das empresas brasileiras permitem que os colaboradores trabalhem no esquema home office, um percentual que tende a aumentar com o passar do tempo, conforme novas gerações de líderes forem ganhando espaço.

O estilo dos nômades digitais

Existe um novo estilo de vida que surgiu com os múltiplos recursos que a tecnologia oferece: os nômades digitais, pessoas que podem trabalhar de qualquer lugar. Com uma facilidade natural em relação à tecnologia, a geração denominada Millenials (nascida entre 1980 e 2000) é entusiasta do Nomadismo Digital por valorizar a existência de versatilidade e flexibilidade no ambiente de trabalho, uma vez que essa geração quer encontrar um equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional.

No entanto, é importante deixar claro que os integrantes dos millennials não são os únicos nômades digitais. A mobilidade é um dos grandes propulsores da tecnologia, influenciando todas as gerações em maior ou menor grau. Ela é uma grande ferramenta para que cada profissional possa assumir a responsabilidade por sua própria produtividade e garantir que suas aspirações pessoais também se realizem.

As tecnologias que possibilitam o trabalho à distância também permitem que os resultados de um determinado local possam ser desenvolvidos em outro local, e os nômades digitais aproveitam essa realidade ao máximo. Por exemplo: a realização de apresentações remotas por videoconferência, a colaboração de pessoas que estão em vários lugares diferentes por meio de novas ferramentas como o Office 365, a implementação dessas novas soluções à distância, tudo isso transforma a mobilidade em uma tecnologia muito valorizada no ambiente de trabalho. Da mesma forma, as empresas também conseguem expandir suas fontes de talento por causa dessa nova realidade.

Impacto na produtividade

A possibilidade de contar com integrantes da equipe em vários lugares diferentes também influencia a produtividade. Ter gerentes e líderes que saibam se conectar aos funcionários à distância é essencial e requer competências específicas. Conseguir flexibilidade suficiente para poder estruturar modalidades válidas de trabalho no escritório, durante viagens, à distância ou de casa tem um impacto na capacidade que a empresa terá na hora de gerar resultados.

Talvez algumas áreas da empresa não sejam ideais para os nômades digitais, mas, à medida que a digitalização das nossas economias avance, veremos mais oportunidades para funcionários que trabalhem de forma remota ou à distância. Alguns exemplos contrários a isso incluem os trabalhadores de chão de fábrica, que precisam estar presentes, ou aqueles que realizam atividades agrícolas, que demandam a presença do trabalhador em um local específico. Mesmo assim, esses setores (manufatura, agricultura etc.) estão criando vagas que foram adaptadas aos modelos de negócios digitais por meio da tecnologia, como o caso das “vacas e a internet das coisas” (o conceito da “vaca conectada”), por exemplo.

Eu acredito piamente no potencial humano e na sua capacidade de se adaptar às mudanças. Talvez algumas pessoas que ainda não tenham conhecimento tecnológico suficiente ou um raciocínio alinhado ao trabalho remoto não se encaixem no perfil dos “nômades digitais”. Mesmo assim, com o preparo certo e a adoção de comportamentos e atitudes adequadas, todos são profissionais remotos em potencial.

O novo ambiente de trabalho não é necessariamente um lugar

As empresas podem aproveitar de uma melhor maneira os hábitos das novas gerações, inclusive dos nômades digitais, ao criar um entorno cultural de alta inclusão, comprometimento, e que promova equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Também é importante haver uma relação de coaching e aprendizado contínuo entre equipe e líderes, com abertura para tecnologias de colaboração que possibilitam um trabalho mais flexível ou remoto.

Com relação às políticas, as empresas devem fundamentar a cultura corporativa em um ambiente de confiança, crescimento, aprendizagem, responsabilidade e capacitação. A menos que as empresas saibam lidar com a variedade de opiniões, hábitos, idiomas, preferências, gêneros, etnias e gerações, será muito difícil desenvolver uma cultura que promova esquemas flexíveis de trabalho e gere um impacto na produtividade.

*Enrique Martin é o diretor sênior de recursos humanos da Microsoft América Latina