Janela indiscreta: o que o seu passado na internet pode (ou não) dizer sobre você


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Na última semana a mídia, dentre assuntos de Olimpíada e escândalos provenientes desta mesma pauta, se viu também repleta de ocorrências ligadas a um músico, o funkeiro MC Biel. Há alguns anos o MC, no uso livre de suas redes sociais, postou comentários e piadas um tanto indelicadas e, até mesmo, preconceituosos a respeito de diversos assuntos e pessoas, não almejando atingir o grande sucesso que veio a ter, posteriormente, ou, quem sabe, por um descuido da equipe de produção/assessoria que o guiava.

O fato é que: dada a grande repercussão do fato, dos prints de cada postagem dele nas redes sociais e de seu conteúdo, o MC teve shows cancelados, processos e, até mesmo, a possibilidade de quebra do contrato com uma grande gravadora e, por fim, decidiu cumprir o restante da agenda de shows para, então, em 2017 fazer uma pausa no trabalho em busca de auto aperfeiçoamento. Um grande impacto, inesperado, que necessitou uma medida forte e que, sem dúvida, pode impactar na carreira futura do MC.

Outros casos semelhantes, de interrupção na carreira, já aconteceram e envolveram músicos internacionais, políticos, atores, pelas mais diferentes motivações: problemas pessoais, dependência química, depressões, escândalos sexuais, dentre outros. Mas, no caso do músico brasileiro, onde foi o principal erro, após a postagem dos conteúdos ofensivos: mantê-los na rede, não se retratar ou esperar a “bomba explodir” para, então, buscar abrigo?

A facilidade de acesso e uso de redes sociais, bem como o alcance e repercussão que uma frase podem tomar após postadas, são enormes. Tudo hoje é acompanhado, monitorado por seguidores, fãs, “inimigos” e, acima de tudo, jornalistas. O trabalho de assessoria em imagem se tornou muito mais importante do que há, não necessitando ir tão longe, oito anos atrás e, a cada ano, mostra-se o quanto é necessária uma boa gestão de imagem e uma equipe preparada para lidar com gestão de crise.

Nosso passado na rede pode ser “garimpado”, revirado e, caso tenhamos descuidado no conteúdo das postagens há três ou quatro anos atrás, isso pode se virar contra todo o trabalho feito nos últimos seis meses, por exemplo. Assim como o usuário, o cliente deve ter cuidado, sua assessoria tem de se atentar para fatores como este: tempo de vida da imagem do cliente; tempo de existência de suas redes sociais; o que foi exposto ali desde seu início até o momento atual; qual o perfil desenvolvido e atribuido ao cliente, por ele mesmo e pela mídia; dentre muitos mais fatores.

Construir uma imagem não é fácil, é um processo meticuloso e que precisa ser muito bem pensado para, caso imprevistos aconteçam, a equipe e o cliente estejam preparados para lidar, e bem, com a ocasião. Quando se é convidado a gerenciar um cliente que já tem uma imagem, um posicionamento adquirido, nunca é demais fazer um levantamento do passado em busca de “pontas soltas”, detalhes que foram perdidos e que, de alguma forma, podem se tornar negativos ao trabalho realizado até então.

Há ocasiões em que reavivar um assunto do passado pode trazer benefício e ajudar a alavancar a carreira e imagem do cliente? Claro que sim, tudo pode ser aproveitado desde que não seja negativo (como no caso citado lá em cima, do MC). Até mesmo, acredite, polêmicas podem ser benéficas, ajudar a reanimar a imagem do cliente junto à mídia, dentro de um planejamento e um cronograma de trabalho, obviamente.

Estar atento ao que já está vinculado a você, na rede, é essencial ao assessor/consultor e, também, ao cliente. Uma boa gerência dos acontecimentos, um bom preparo e planejamento para lidar com a repercussão e imprensa podem, ao invés do que se pensa, fazer de uma polêmica o trampolim para o sucesso do trabalho sem que seja necessária uma crise ou uma pausa na carreira.

Mas, será que uma pausa na carreira também não é uma estratégia diferenciada para atrair atenção do público a um novo ou futuro trabalho? Pode ser que nem tudo seja tão “imprevisível” quanto se pensa, grandes projetos exigem grandes -e até ousadas – estratégias de divulgação (lembre-se de Chiquinho Scarpa que, em 2013, atraiu a atenção de toda a mídia ao simular o enterro de seu carro preferido, avaliado em mais de R$900 mil mas que, na verdade, pretendia realizar uma ação muito mais louvável: incentivar a doação de órgãos).

Quando se trata de promoção de imagem, todo recurso e deve ser muito bem explorado.